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Escritos de Julio Ugarte y Ugarte
Coletânea de textos do professor Julio Ugarte y Ugarte

Fundamentos Doutrinários da Igreja Cristã Primitiva (*)

O Evangelho de Cristo tem como base fundamental o ensino de como obter a salvação de nossas almas, a redenção de nossos pecados, de nossas rebeldias, mediante a imitação interna da vida espiritual de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em outros termos, ensina-nos a pensar como Ele pensou a respeito da Divindade, do Pai Celestial, de Quem Jesus recebeu a Santa Doutrina.

A leitura do Evangelho nos lembra os múltiplos detalhes de como Ele iniciou a Unificação Espiritual com Deus, pois: tomando forma de servo, humilhou-se perante si mesmo, fazendo-se obediente ao Pai até a morte, e morte de cruz.

Já se observa, comparando com as profecias, como Jesus, ao receber do Pai a Doutrina de Obediência a Deus, teria que exclamar: Oh, fazer Tua Vontade, Deus meu, tem agradado a minha alma, retira o primeiro para restabelecer o postreiro.

Eis a Pedra Angular para a edificação da IGREJA CRISTÃ PRIMITIVA, para a edificação de Deus nas almas, fato que passou desapercebido durante tantos séculos e que hoje, pela Vontade do Altíssimo, novamente renasce no mundo, em cumprimento das profecias.

Devemos, pois, pensar na reconstrução da Igreja, imitando o fundamento primordial da Santa Doutrina, sem aditamentos, sem deturpações, límpida, preparando as almas para a Segunda Vinda do Salvador.  


Ao redor da Obediência a Deus, giram todos os versículos dos quatro evangelistas, dos Atos, das epístolas e do Apocalipse de São João. Portanto, primeiramente temos de considerar o Batismo, no seu aspecto espiritual, já que o mesmo Senhor Jesus Cristo, espiritualmente, batizou Seus Apóstolos, segundo declarou quando lavava-lhes os seus pés, antes da última Ceia: Já estais limpos, e preciso lavar-vos somente os pés.

Batizar ou limpar é a mesma coisa. Já as suas almas estavam limpas pelo ensinamento da Doutrina de Obediência à Santíssima Vontade de Deus. Só era necessário a lavagem dos pés, simbolizando que, no Caminho de Deus que empreendiam os Santos Apóstolos, deveriam trilhar esse Divino Caminho, aperfeiçoados, para que, assim, todos os seus atos pudessem refletir a Divindade na Terra, morar Deus corporalmente no mundo.

Se nos lembrarmos do batismo de João Batista, comprova-se que é necessário, antes de empreender o Caminho para a Unificação com Deus, limparmos materialmente de todos os nossos erros, mediante o batismo do arrependimento interno, pregado pelo Maior dos Profetas do Altíssimo.

Somente num estado de alma de profundo arrependimento de todos os nossos pecados, com a intenção firme de não tornar atrás a perpetrá-los de novo, é que estamos preparados para principiar o Santo Caminho Espiritual, que, sendo o primeiro, seguiu desde menino, Jesus, o nosso Irmão Maior.

Daí porque a Doutrina não poderá ser compreendida por todas as pessoas, mesmo como passou nos primitivos tempos do Cristianismo, culminando com a crucificação de Jesus e os martírios e perseguições aos Apóstolos.

Desde o princípio, Jeová começou a ensinar aos profetas o caminho a seguir, verificando-se uma espécie de ascensão, por degraus que se sucederam, até culminar com a morte de Jesus no madeiro, dando-nos o exemplo mais maravilhoso dos séculos: de como nós devemos ser obedientes, resignados à Vontade Sublime, Divina, que encerra em si, o Amor entranhável do Cristo, o Amor incomparável, descido de Deus ao mundo, e jamais compreendido pela inteligência do homem material, conforme o declara o Evangelho. É esse Amor Superior ao sentimento humano.

É um absurdo imaginar que, somente com o culto externo, pudéssemos estar prontos para ingressar nos Céus. Jamais ensinaram Nosso Senhor Jesus Cristo e Seus Santos Apóstolos e Discípulos semelhante doutrina...

É lamentável que em tantíssimo tempo transcorrido, a humanidade não compreendesse que os sofrimentos e provações de toda índole, e muito mais neste século de tremendas provas, são o resultado de seus desvios sobejamente comprovados. Seria mister que os homens sucumbissem aos milhares, para ter consciência plena de que, dentro dos formalismos e rituais externos, jamais se salvarão das provações vaticinadas pelos Profetas antes de Jesus Cristo, por Ele mesmo, pelos Seus Apóstolos e Discípulos, e, agora mesmo, pelo Seu Servo, que esclarecerá as Verdades do Primitivo Credo Cristão.

É mister, então, que, para muitos homens, unicamente, passando pelas experiências dolorosas profetizadas para estes tempos, é que cheguem ao arrependimento sincero; dêem-se conta dos seus erros e blasfêmias, e de joelhos se encomendem a Jesus, Portador da Salvação, para que, assim, possam redimir-se dos seus pecados?

Sem esta comprovação, terão os homens que contemplar sua completa destruição. Não vemos acaso o que se passa em toda a parte? Temos de atribuir a situação do mundo a coisas materiais? Seria, assim, terminar com a existência de Deus na mente dos homens. Seria terminar, por completo, a maravilhosa Dominação de Deus sobre todas as coisas e almas que Ele criou. E nesse caminho descarrilado veremos sucumbir toda a Humanidade.

Como uma comprovação do caminho sombrio no qual desliza vertiginosamente a Humanidade inteira, vemos nos tempos que correm que, impulsionados por tremendas forças maléficas, verdadeiras inspirações satânicas, pouco mais, pouco menos, e o mundo inteiro, umas nações pelo ataque e outras pela sua própria defesa, ficarão envolvidas na terrível fogueira do aniquilamento.

Inúteis resultam todas as práticas do culto externo, e mesmo do interno, que nos mostra a Europa e o Extremo Oriente e, com o seu próprio reflexo, como a imagem em um espelho, aqui na América. 

(*) Texto escrito pelo professor Julio Ugarte y Ugarte, em 2 de dezembro de 1941. O atual texto foi publicado no Boletim Informativo 32, de maio de 1990. Na abertura do texto constava a seguinte nota: “O atual texto não continha, no original, a assinatura do Professor Ugarte. Seu estilo, porém, é inconfundível, por apresentar detalhes pertencentes à sintaxe da Língua Espanhola e não à da Língua Portuguesa. Afora isto, existem outras evidências como a correção que sempre fazia, após datilografar o texto em nossa língua, e o emprego de termos originais e na ortografia de sua língua de origem. Não só pelo fato de termos recebido o original das mãos de um irmão, em quem, pela Vontade de Deus, confiamos, mas também por conter inúmeros detalhes que atestam ser o original de autoria de nosso Pai na Obediência do Cristo, é que o reproduzimos nestas páginas para dar a conhecer a toda a Igreja.”

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Julio Ugarte y Ugarte
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