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Ester
A realidade da Providência Divina

Capítulos do Livro de Ester
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Ester é um dos livros históricos do Antigo Testamento. Possui 10 capítulos e tem como mensagem principal a realidade da Providência Divina. "Ester" é nome pérsico e significa: "Estrela do Oriente". No hebraico o nome era Hadassah, que significa "Murta". 

O autor deste livro não se pode saber com certeza. Agostinho atribui o livro a Esdras, o Talmud à Grande Sinagoga. Entretanto, possivelmente o livro fora escrito por Mardoqueu (Ester 9:20). 

O direito deste livro a ocupar um lugar no cânon da Escritura tem sido grandemente contestado. O nome de Deus não aparece nele, enquanto que um rei pagão é mencionado mais de cento e cinqüenta vezes. Não há alusão à oração nem a nenhum tipo de serviço espiritual, com a possível exceção do jejum. 

Entretanto, o livro ocupa um lugar na Palavra de Deus por seu ensino velado da providência protetora em conjunção com o povo de Deus e a certeza da retribuição que alcança seus inimigos. O tema principal deste livro é a libertação dos judeus por meio da rainha Ester.

Análise do Livro

Os eventos principais da história giram em torno de três festas:

I. A festa de Xerxes (Assuero) e os fatos relacionados com ela

1. No sétimo dia, quando o rei estava alegre devido ao vinho, a rainha Vasti desobedeceu a ordem de aparecer perante os príncipes reunidos (Ester 1:1-12).
2. O rei, furioso, aceitou o conselho de seus sábios e destronou a rainha (Ester 1:13-22).
3. Depois da busca, por todo o reino, de uma nova rainha, Ester, uma judia, foi escolhida (Ester 2:1-17).

II. A festa de Ester, eventos preliminares e desenlace final

1. Mordecai, o judeu, pai adotivo da rainha, salva a vida do rei (Ester 2:7 e 2:21-23).
2. A ascensão de Hamã e a recusa de Mordecai de honrá-lo; a fúria de Hamã e sua decisão de destruir a todos os judeus (Ester 3:1-15).
3. O luto dos judeus por causa do complô de Hamã (Ester 4:1-4).
4. A determinação heróica de Ester de comparecer perante o rei com um plano em mente que pudesse frustar o complô (Ester 4:5-17).
5. Ester, ao ser recebida pelo rei, convida a este e a Hamã para uma festa (Ester 5:1-8).
6. Hamã prepara uma forca para Mordecai (Ester 5:9-14).
7. Durante uma noite de insônia o rei examina os registros da corte e descobre que Mordecai não havia sido recompensado por haver salvo a vida do rei (Ester 6:1-3).
8. A vaidade egoísta de Hamã resulta em sua própria humilhação e em grande honra para Mordecai (Ester 6:4-11).
9. A festa de Ester. Descobre-se o complô de Hamã, e este é pendurado na forca que ele havia preparado para Mordecai (Ester capítulo 7).

III. A Festa de Purim

1. Eventos preliminares.
* O rei autoriza a vingança dos judeus contra s seus inimigos (Ester capítulo 8). 
* A vingança executada (Ester capítulo 9).
2. A festa instituída (Ester 9:20-31). 
3. A exaltação de Mordecai (Ester capítulo 10)

A ausência do nome de Deus

A tradição histórica indica que Martinho Lutero tenha se declarado francamente hostil ao livro de Ester, a ponto de almejar o seu desaparecimento. E muitos, hoje, têm a mesma idéia, porque o livro é cheio de problemas difíceis. A primeira vista nos parece ser um livro de caráter profano, sem mérito algum para ensinar espiritualmente e muito menos para formar entre os livros da Sagradas Escrituras.

Vários fatores culminam neste raciocínio:

* O nome de Deus não aparece, aí, nem uma vez ao passo que o do rei pagão é mencionado 187 vezes.
* No Novo Testamento, não se faz nenhuma referência ao livro.
* Neste livro não se fala de oração nem se alude à observação da sagrada Lei dos Judeus.
* Trata da supersticiosa crença pagã em observar "dias de sorte". Se isto pode ser chamado de sobrenatural é, só nisto, que o livro se aproxima do sobrenatural.

Entretanto, antes de condenar este livro é preciso inquirir a atitude do povo judeu a seu respeito, e se realmente podemos compreendê-lo ou não. É fato que não só foi aceito como parte do Cânon, como também é considerado, pelos judeus, como peculiarmente sagrado, e, a seu ver, ocupa o 2º lugar, logo em seguida aos 5 livros de Moisés.

O fato da ausência do nome de Deus é o seu principal encanto, e, de maneira alguma, podemos considerar isso uma mancha. Em todos os atos da vida, em todos os negócios, em todas as ações do homem Deus está sempre presente. Em tudo Deus tem Sua Parte e Sua Porção, em tudo tem seu Dedo Divino. Notai, porém, que este controle, no entanto, está oculto - é secreto. Nisto reside a história maravilhosa que ensina a realidade da Providência Divina. O nome de Deus não aparece, mas aqueles que olham com os olhos espirituais vêem o fator divino na obra humana.

Sugerem ainda alguns historiadores que este livro é um extrato dos arquivos oficiais da Corte Persa (Ester 2:23), o que explicaria a omissão do nome de Deus e os detalhes particulares.

Curiosidade

Como curiosidade, registramos aqui que a prática de "mandar presentes uns aos outros, e dádivas aos pobres" no dia de Natal é bem possível que tivesse origem na observância habitual dos judeus de assim fazerem durante a Festa de Purim (Ester 9:22).

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